sexta-feira, 19 de agosto de 2011

ARTIGO | A participação popular na política através de redes sociais online


Roney Belhassof
@roneyb
Consultor em Gestão do
Conhecimento e Cibercultura

(artigo publicado na edição 235 do Jornal da Alerj - http://bit.ly/jornal235 )

No modelo de comunicação anterior à Internet, o diálogo com os políticos se dava através da mídia ou a cada eleição, sendo, dessa forma, unidirecional. O meio moderno de comunicação é bidirecional e, apesar de reproduzir o caos dos papos de bar, apresenta diferenças determinantes: uma mensagem online pode ser replicada instantaneamente sem sofrer o efeito “telefone sem fio”. Além disso, ela não some facilmente. Isso é bom e ruim ao mesmo tempo. Tudo depende de como as vantagens serão usadas. Seria uma leviandade afirmar que seguiremos esse ou aquele rumo, se a rede continuará sendo uma grande “confusão” ou se o cidadão perceberá que pode participar da democracia tanto dialogando com seus representantes quanto compartilhando opiniões com os demais cidadãos. 



Estamos nos primórdios da Internet, ainda que ela pareça um fenômeno maduro. A maioria das pessoas está descobrindo as possibilidades da hiperconectividade, algo que não é real e nem universal. Assim, temos a chance de agir para criar espaços de diálogo e informação ordenados. As iniciativas da Alerj no Twitter são um ótimo exemplo de construção desse ambiente. O perfil da Casa utiliza um espaço “naturalmente caótico” (a Rede) para contar, ao vivo, o que acontece no Parlamento, informar sobre leis e eventos, responder dúvidas, mostrar sua arquitetura (Visita Tuitada) e fazer enquetes, enfim: mantém uma voz organizada em um ambiente de caos, apresentando um cenário amistoso que estimula a participação.

No entanto, talvez a iniciativa mais importante do perfil seja a antecipação de dúvidas, identificando o que é queixa comum e respondendo a todos os seguidores, que, naturalmente, podem repassar (retuitar) as informações sem que elas se deteriorem pelo efeito “telefone sem fio” citado anteriormente. Destaco a atuação da Alerj no Twitter e, principalmente, a iniciativa acima por dois motivos: agir proativamente, monitorando a Rede para responder as dúvidas, possibilita que poucos interajam com muitos; e, ao assumir a iniciativa de estar entre os cidadãos, a Casa ajuda a criar uma nova cultura de participação, sem a qual a atuação da sociedade poderia se caracterizar, cada vez mais, pelo chamado #mimimi, ou seja, o hábito de praguejar contra Deus e o mundo por crer que não será ouvido de outra forma.
É cedo para supor que rumos nossa sociedade seguirá conforme as ferramentas de comunicação irrestritas vão se tornando universais, mas podemos ter certeza que as medidas proativas no sentido de estabelecer diálogos são fatores importantes na evolução da comunicação moderna e, consequentemente, na evolução da Democracia. Enquanto isso, é claro que a sociedade já vem se organizando através de redes sociais online com muito mais intensidade e, em alguns casos, muito mais organização do que era possível com as redes sociais offline, e que, agora, as ideias se propagam de maneira cada vez mais sólida.

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